Atualizando meu Top 10 de jogos de tabuleiro

Quando eu comecei este blog, 7 meses atrás, eu postei a minha lista pessoal de Top 10 jogos de tabuleiro. Hoje decidi atualizá-la porque muita coisa aconteceu de lá pra cá. Muita coisa.

Para referência, esta é a lista de fevereiro de 2025:

10. Mysterium
9. Codenames
8. Schotten Totten
7. Art Society
6. Concept
5. Catan
4. Micélio
3. Ticket to Ride
2. Onitama
1. Harmonies

Antes de apresentar a lista atual, uma observação: os jogos que saíram da lista não são de modo algum jogos que eu deixei de gostar, apenas estão no meu Top 20 em vez do Top 10. Sem mais delongas, ei-la:

10. Schotten Totten
9. Codenames
8. Deception
7. Big Shot
6. Azul
5. Heat
4. Harmonies
3. Ticket to Ride
2. Sky Team
1. Genial

(0. Ricochet Robots que não dá pra incluir na lista porque é mais um puzzle competitivo do que um jogo, mas eu sou completamente fissurado e ainda vou escrever sobre)

Bem, é isso, aguardem mais detalhes sobre os jogos que entraram na lista, especialmente Genial, que já entrou direto no primeiro lugar. Sobre Sky Team eu já escrevi aqui e sobre Heat também.


Big Shot

Se eu tivesse uma moeda para cada vez que eu me vi forçado a imprimir um jogo criado pelo Alex Randolph de tanta vontade de jogar, eu teria duas moedas, o que não é muito, mas é curioso que tenha acontecido duas vezes. 

Ou talvez não seja tão curioso assim, o cara realmente foi um designer de jogos muito bom.

A primeira vez que isso aconteceu foi com Ricochet Robots, e essa é uma história que eu ainda vou contar aqui. Mas hoje vou falar de Big Shot, um jogo de 2001 que captura muito bem uma das coisas que eu mais gosto num jogo: a sensação de estar jogando um jogo. 

O head designer de Magic: the Gathering, Mark Rosewater, categoriza a criação de coleções do jogo (e isso pode ser estendido para jogos de tabuleiro) em dois tipos de abordagem: bottom-up (de baixo pra cima) e top-down (de cima pra baixo). O design de baixo pra cima ocorre quando se pensam as mecânicas e as interações que a coleção ou o jogo terão e depois se pensa a temática que vai encaixar melhor com aquelas mecânicas. Já numa abordagem de cima pra baixo, começa-se com uma temática ("vou fazer um jogo sobre confeitaria") e aí se pensam as mecânicas que representam essa temática.

Na minha percepção, jogos pensados de cima para baixo correm o risco frequente de colocarem mecânicas demais numa tentativa de representar mais fielmente (o que Rosewater chama de gerar ressonância) aquela experiência que está sendo transposta para um jogo, enquanto jogos pensados de baixo para cima enfrentam primeiro o desafio de serem bons jogos e depois o de aplicar a eles uma temática interessante.



Big Shot (lançado no Brasil como Leilão de Imóveis) é um jogo que acerta tanto no quesito ser um bom jogo que eu pelo menos nem penso se a temática se encaixa tão bem assim. Eu não tenho a sensação de estar leiloando imóveis, propriedades ou lotes, eu estou jogando um jogo em que eu preciso dar lances para forçar meus adversários a gastarem mais para alocar peças do que eu, e alocar as minhas peças de forma eficiente.


Em Big Shot, o mapa consiste em 13 regiões (divididas em 4 conjuntos) que serão disputadas pelos jogadores. 11 delas valem uma certa quantidade de pontos e 2 funcionam como multiplicadores: se você possuir a região multiplicadora no fim do jogo, cada outra região que você possuir no mesmo conjunto valerá o dobro.

As regiões são disputadas através de marcadores da cor dos 4 jogadores, 18 cubos de cada cor, que são embaralhados e distribuídos em 18 espaços com 4 cubos cada. Com 3 jogadores, a cor restante é distribuída normalmente, como se fosse um jogador neutro. A cada rodada, um desses lotes de 4 cubos é leiloado, e vencer o leilão significa que você decidirá como ele será distribuído no tabuleiro. Cada região terá um vencedor quando tiver 7 cubos nela, portanto o seu objetivo é o de distribuir os seus cubos da forma mais eficiente possível enquanto distribui os cubos dos seus adversários de forma a desperdiçá-los (por exemplo, colocando numa região que já tem 4 cubos de um jogador, já que os novos cubos adicionados ali não influenciarão o resultado). Ter 7 cubos seus numa região é pior do que ter 4, porque significa que 3 cubos foram desperdiçados. 

A grande sacada genial dessa parte do jogo é que os empates se cancelam, ou seja, se uma região tem 3 cubos azuis, 3 cubos vermelhos e 1 cubo verde, os cubos azuis e vermelhos são ignorados e a região é adquirida pelo jogador verde. Isso permite jogadas interessantíssimas onde colocar apenas um cubo seu numa região te faz vencer aquela região.

Outro ponto interessante são os empréstimos. Cada jogador começa com $10 e esse valor certamente não é suficiente para vencer os leilões que você precisará vencer. Ao longo do jogo, você pode pegar empréstimos, que descontarão $10 da sua pontuação no final do jogo. Porém, os juros são pagos adiantados, portanto o primeiro empréstimo te credita apenas $9, o segundo $8 e assim por diante. A utilidade de cada empréstimo vai diminuindo e tentar forçar seus adversários a pegar mais empréstimos é uma estratégia importante.

Para concluir o meu hiperfoco nesse jogo, eu recriei ele numa planilha do Google Sheets, com aleatorização e cálculo de quem vence cada local já implementados.

Heat

Eu já sabia que Heat seria um jogo maneiro porque pessoas cujas opiniões eu costumo acompanhar curtem bastante. 

Mesmo assim, me surpreendi. Acho que o que eu mais gostei foi de como você realmente se sente numa corrida (bem, eu nunca corri, mas joguei muito Rock'n'Roll Racing e Super Mario Kart). A jogada arriscada numa curva, se der certo, te concede uma folga na próxima reta e pode te fazer ganhar a corrida.


A mecânica essencial do jogo é um deckbuilding com as cartas que definem a sua velocidade, então saber quais cartas você já usou e especialmente quando gastar cartas de calor (que são adicionadas ao seu baralho e te prejudicam depois) são habilidades importantes.

A rejogabilidade me parece extremamente alta, já que são 4 pistas diferentes com diversas regras adicionais (no modo campeonato). Até agora joguei duas partidas e já quero jogar em todos os circuitos.

E é claro, o jogo tem uma qualidade importantíssima: dá pra jogar de verde.

Sky Team


Sky Team é um jogo incomum, que se encontra na interseção de dois conjuntos: o dos jogos cooperativos e o dos jogos exclusivamente para dois jogadores. A temática deixa óbvio por quê: os jogadores são piloto e copiloto de um avião e precisam pousá-lo. 

Mecanicamente, ele é relativamente simples, ao longo de algumas rodadas cada jogador vai posicionar os seus 4 dados em espaços do tabuleiro, sem saber quais dados o outro jogador tem (não é permitido se comunicar depois de rolar os dados).

2 espaços de cada jogador (o da inclinação e o do motor) devem ser preenchidos todos os turnos, reduzindo a quantidade de escolhas possíveis, o que ao mesmo tempo diminui a complexidade das decisões e aumenta a dificuldade delas, do jeito que eu gosto.

Assim que joguei a primeira partida, comecei a teorizar uma espécie de estratégia de comunicação através dos dados colocados, o que é essencialmente a habilidade que esse jogo exige/desenvolve. Isso, no entanto, é mais fácil de falar do que fazer. Consegui estabelecer alguns pontos iniciais e jogando com a minha namorada, conseguimos pousar nos 3 aeroportos mais simples. Estou ansioso para experimentar todos os módulos adicionais (esse jogo já vem com um bocado).


Como vocês podem ver, um jogador usa os dados azuis e o outro, os dados laranja, portanto é mais um jogo que sofre do defeito irremediável de não ser possível jogar de verde.

Kingdom Builder

 


Hoje fizemos um evento na luderia onde os clientes puderam jogar com a staff, ou seja, nós monitores, eu escolhi Kingdom Builder e Blue Lagoon, mas só Kingdom Builder teve jogadores suficientes (era o que eu mais queria jogar mesmo).

Kingdom Builder (Queen Games, 2011) é um jogo estratégico bastante simples em termos de ações: você tem uma ação obrigatória por turno (revelar uma carta de terreno e colocar 3 peças de povoado em terrenos do tipo revelado) e adquire mais ações adicionais dependendo de onde você construir. Nesse sentido é um jogo bem gradual em questão de complexidade.

Ao final, você pontua de acordo com condições de pontuação definidas aleatoriamente antes de começar, o que adiciona bastante variedade ao jogo: dificilmente duas partidas serão semelhantes.



Em suma, gostei bastante, o jogo só tem um defeito: não dá pra jogar de verde.

Mysterium


Mysterium (Libellud, 2015) é um jogo cooperativo de resolução de um mistério através de pistas dadas por um jogador, o Fantasma, usando cartas com imagens artísticas e bastante subjetivas. Esse caráter artístico das cartas é compartilhado com outro jogo mais conhecido da mesma editora: Dixit. Inclusive, fica a dica, experimente jogar Mysterium com cartas de Dixit e Dixit com cartas de Mysterium (até o número e o tamanho das cartas é igual entre os dois jogos).

Até agora, eu expliquei Mysterium uma meia dúzia de vezes e joguei uma vez (este vai ser um tema recorrente neste blog, mesmo os jogos que eu mais gosto são muitas vezes jogos que eu mais expliquei do que joguei). Quando joguei, fui o Fantasma, o jogador responsável por passar as visões, se comunicando apenas através delas e de batidas na mesa para indicar se um jogador acertou ou não o seu palpite sobre o significado da visão.

Mecanicamente, é um jogo que não é nem simples nem complexo, é médium (eu não podia perder essa piada). Toda a profundidade dele vem da dificuldade de escolher cartas que combinem com os suspeitos, locais e armas dos outros jogadores, os médiuns. Isso é algo que em geral vocês vão ver que me agrada bastante em jogos: regras simples, jogabilidade profunda. Se você conhece um jogo que vai levar um minuto pra aprender a jogar e uma vida inteira pra aprender a jogar, por favor me recomende, é bem provável de eu gostar.

Meu Top 10 de jogos de tabuleiro

Preciso começar de algum lugar, né? Uma lista de top 10 é algo extremamente subjetivo, mas como o blog é meu, é a partir de uma que eu vou definir os próximos posts, que serão reviews desses jogos, intercalados com jogos que eu tiver acabado de jogar ou aprender. Atualmente, meus top 10 jogos de tabuleiro preferidos são:

10. Mysterium
9. Codenames
8. Schotten Totten
7. Art Society
6. Concept
5. Catan
4. Micélio
3. Ticket to Ride
2. Onitama
1. Harmonies

Em breve, e provavelmente nessa ordem, postarei meus reviews desses jogos, com uma breve explicação das mecânicas e explicando o que me faz gostar deles.